terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Errar é Humano

Há uma profunda covardia oculta nessa sentença. Divido com todos o meu próprio erro, atribuindo a toda uma espécie a imperfeição de um indivíduo. Há humanos muito melhores que eu, que não erram tanto, mas que culpo igualmente. Não que a intencionalidade esteja sempre presente, mas isso não diminui os efeitos do meu descuido: só me torna ainda mais responsável por ele, pois talvez fosse evitado, se o planejamento avistasse mais consequências. Não há medida capaz de demonstrar a gratidão que sinto ao reconhecer uma falha apontada. Recebo, de pronto, uma chance de me tornar alguém melhor, de crescer, de evoluir, de ser aquele humano que não merece ser culpado pelas falhas alheias. Quanto maior o poder, mais bem se pode fazer ou sofrimento se pode causar. Não posso deixar de agir por medo de errar, mas preciso evitar ao máximo os danos, pois não existe acerto que apague meus enganos. Errar não é um objetivo, mas se - e quando - acontecer, aprenda com isso. Não diminua a importância dos seus desacertos, nem tente justificá-los com seus sucessos: quem sofreu com aqueles primeiros não vai ter a dor abrandada por estes últimos. Não perca a oportunidade de me mostrar onde errei: preciso me desenvolver, e o seu feedback é o meu melhor alimento. Obrigado e me desculpe, ou o inverso, ou ambos. 

(Imagem: www.pixabay.com)

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