Há uma profunda covardia oculta nessa sentença. Divido com todos o meu
próprio erro, atribuindo a toda uma espécie a imperfeição de um indivíduo.
Há humanos muito melhores que eu, que não erram tanto, mas que culpo
igualmente. Não que a intencionalidade esteja sempre presente, mas isso
não diminui os efeitos do meu descuido: só me torna ainda mais
responsável por ele, pois talvez fosse evitado, se o planejamento
avistasse mais consequências. Não há medida capaz de demonstrar a
gratidão que sinto ao reconhecer uma falha apontada. Recebo, de pronto,
uma chance de me tornar alguém melhor, de crescer, de evoluir, de ser
aquele humano que não merece ser culpado pelas falhas alheias. Quanto
maior o poder, mais bem se pode fazer ou sofrimento se pode causar. Não
posso deixar de agir por medo de errar, mas preciso evitar ao máximo os
danos, pois não existe acerto que apague meus enganos. Errar não é um
objetivo, mas se - e quando - acontecer, aprenda com isso. Não diminua a
importância dos seus desacertos, nem tente justificá-los com seus
sucessos: quem sofreu com aqueles primeiros não vai ter a dor abrandada
por estes últimos. Não perca a oportunidade de me mostrar onde errei:
preciso me desenvolver, e o seu feedback é o meu melhor alimento.
Obrigado e me desculpe, ou o inverso, ou ambos.
(Imagem: www.pixabay.com)
